Dois Toques de Nostalgia
Karen
Pinheiro Couto
Uma espécie de homenagem aos primórdios do cinema, O Artista (2011) e A Invenção de Hugo Cabret (2011) se encaixam perfeitamente na categoria de grandes e geniais longas-metragens cheios de nostalgia.
O filme francês, O Artista, traz às telonas o cinema mudo — ou quase mudo — dos tempos
contemporâneos. Na película, um grande ator de obras mudas da década de 1920,
George Valentin (Jean Dujardin),
não acredita que o filme falado seja o futuro das grandes salas escuras. Então,
ignorando as probabilidades, decide seguir carreira de diretor e ator para
continuar em sua área de conforto. Peppy Miller (Bérénice
Bejo) é uma antiga fã que se
tornou atriz com ajuda de Valentin, e é a mais nova promessa do antigo estúdio
do ator. Diferentemente do carismático e teimoso George Valentin, ela segue
para as novidades cinematográficas e garante uma vaga entre as melhores atrizes
da época. Naturalmente, o cinema falado torna-se o preferido do público e o
protagonista vai a falência.
O
Artista é um belo retrato do desenvolvimento do cinema quanto ao aspecto da
linguagem. Nunca houve no cinema uma mudança tão abrupta como a transição do
cinema mudo para o falado. Essa transição, que ocorreu do fim de 1927 até
meados de 1932, trouxe uma nova perspectiva tanto para o público quanto para
atores, produtores, roteiristas e afins.
O francês Michel Hazanavicius é diretor e escritor da obra O artista, lançado no ano de 2011 como um filme metalinguístico.
Michel ganhou o Oscar de melhor diretor com este filme em 2012. Sua obra
cinematográfica obteve dez indicações ao Oscar e foi vencedor de três Globos de
Ouro.
A Invenção de Hugo Cabret pode ser considerado um filme infantil e liberado para crianças, mas nunca um filme pobre e somente de entretenimento.
O estadunidense Martin Scorsese
admitiu que A Invenção de Hugo Cabret foi
uma forma de mostrar sua criatividade cinematográfica para a filha nova demais para
seus filmes inapropriados para crianças.
A
Invenção de Hugo Cabret pode ser considerado um filme infantil e liberado
para crianças, mas nunca um filme pobre e somente de entretenimento. Ele é
genial! Uma obra leve e divertida, e, ao mesmo tempo, coberta de conhecimento e
detalhes da história do cinema; cita e exibe diversos filmes que marcaram o
cinema, como o primeiro filme de ficção, Viagem
a Lua, com produção e direção de
Georges Méliès.
Mas essa é de longe a menor das
homenagens feita ao grande diretor, pai dos efeitos especiais e revolucionário
do cinema mundial. Georges é um dos personagens principais, interpretado pelo
ator Ben Kingsley. O longa conta a história de Méliès após a guerra começar e
seus filmes não fazerem mais sucesso devido a amargura com tantos mortos.
Apesar disso, o filme tem como protagonista Hugo Cabret (Asa Butterfield), um órfão que mora no relógio
da estação ferroviária de Paris em 1930, e tem como único objetivo consertar o
autômato que ganhara de presente do falecido pai. A partir disso, junto à Isabelle
Mélliès (Chloë Grace Moretz),
sobrinha de Georges, Hugo embarca em uma grande aventura para consertar o
presente do pai.
O 3D usado em todo filme, de
maneira exímia, somado à fotografia dourada, remete o espectador a uma Paris
exatamente como na década de 1930. Como já dito, A invenção de Hugo Cabret não possui somente entretenimento, possui
também reflexão — característica dos filmes de Scorsese — sobre o
objetivo de se estar no mundo.
“Gosto de imaginar que o mundo é uma
grande máquina. Você sabe máquinas nunca tem partes extras. Elas têm o número e
tipo exato das partes que precisam. Então imagino que se o mundo é uma grande
máquina, eu também estou nele por algum motivo.” (A INVENÇÃO DE HUGO CABRET,
2011)
Ambos os filmes mencionados trazem em
sua composição uma espécime do nostálgico com o histórico, talvez por isso,
junto com alguns outros fatores, O
Artista e A Invenção de Hugo Cabret
sejam trabalhos memoráveis e ovacionados por críticos e pelo público.


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